“O Brasil vive uma luta de classes”

O membro do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil (PC do B), André Bezerra Rodrigues, que veio a Roraima para tratar sobre a política de alianças da sigla para as eleições deste ano, disse, em entrevista a este jornalista, que o que está em jogo hoje no Brasil não é apenas o combate à corrupção, mas a volta ao poder, à Presidência da República, pela elite.

“Este é um governo que está vivendo uma disputa entre os setores progressistas, desenvolvimentistas contra os monetaristas”, analisou. “É a luta contra um operário metalúrgico que não é admitido pelas elites. Isso é preconceito de classe”, disse Bezerra.

O representante do PC do B afirmou que o país vive uma situação parecida com o que aconteceu no segundo governo do presidente Getúlio Vargas, quando tentaram tirá-lo do poder, levando-o ao suicídio. Compara ainda com os setores que quase impediram o presidente Juscelino Kubitschek de tomar posse e que tentaram impedir também a posse de João Goulart. “Tem sido assim historicamente. Ainda são estratos da classe dominante”, frisou.

André Bezerra também sai em defesa do governo Lula quanto ao quesito corrupção. Diz que este governo não é o mais corrupto da história do país, como afirma a oposição no Congresso Nacional, mas sim o que mais combateu essa prática lesiva à sociedade. “Já foram desencadeadas mais de 250 ações de combate à corrupção. A Polícia Federal foi aparelhada para fazer esse combate. Os culpados têm que ser julgados e punidos”, observou.

Apoio a Lula

O Comitê Central do PC do B está decidido a apoiar a candidatura do presidente Lula da Silva à reeleição, caso ele resolva tentar ser reconduzido ao Palácio do Planalto, no pleito de outubro. André Bezerra combate o argumento de que o governo Lula pôs em prática a mesma política econômica do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, na sua integralidade. No entanto, diz discordar da manutenção da política macroeconômica. A necessidade de fazer superávit acima de 4,24% é questionável, afiram Bezerra.

“Esse governo fez investimento no social, investimento na construção civil, fez transferência de renda, por meio do programa Bolsa Família. Se formos somar todos os investimentos, eles chegam a R$ 25 bilhões. E ainda há o reconhecimento das centrais sindicais, como CUT e Força Sindical. Finalmente, é o governo que mais tem conversado com os setores organizados. É um governo que dialoga com a sociedade”.

O membro do Comitê Central do PC do B defende que Lula, caso se candidate à reeleição, emita uma segunda “Carta ao Povo Brasileiro”, desta vez priorizando os setores produtivos do país e apresentando um projeto nacional de desenvolvimento baseado na valorização do trabalho e do emprego e comprometido com a defesa da soberania nacional. “É preciso que o governo construa convicções para isso”, afirmou.

Homologação da Raposa

Para o líder comunista, a homologação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol foi o atendimento a uma reivindicação justa de uma dívida do Brasil com os índios. Ele disse que a resistência e as críticas feitas ao processo de homologação é decorrente do fato de que a medida atinge diretamente a elite de produtores do Estado, que está presente na área e que agora terá que sair.

“O governo Lula é sensível aos problemas históricos do país e dos povos indígenas. Os setores atingidos pela demarcação [da Raposa Serra do Sol] são os mais oligárquicos”, frisou.

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