Mundurucus, uma saga de talento

Depois da apresentação de Cristino Wapichana, foi a fez do palco do Palácio da Cultura ser invadido pelo talento esplendoroso dos atores da Companhia Pombal Arte Espaço Alternativo, que apresentou a peça “A saga das Mundurucus”. Com figurino impecável, a peça traz uma linguagem cênica que funde mitologia indígena com temas e estética contemporâneos. Tupã deve ter aplaudido de pé a apresentação dos integrantes da talentosa companhia de teatro manauara.

O diretor do espetáculo Luiz Vitalli explica que a peça traz uma inovação dentro da linguagem teatral que acaba por caracterizar o grupo. Diz que a proposta não é apenas “presentificar e atualizar urbanamente o mito da floresta”, como fora feito em outro espetáculo “Porominare”. A idéia é apresentar a existência mítica de um povo indígena em seu cotidiano vivido na urbanidade.

A desenvoltura dos atores mal permitia à platéia piscar os olhos. Até as crianças presentes aplaudiram o magnífico espetáculo. O diálogo, o figurino, a força interpretativa dos atores, a presença de palco tudo, absolutamente tudo, contribui para que “A saga dos Mundurucus” seja bem recepcionada pelo público onde quer que seja apresentada.

Com a preocupação em dar realidade ao espetáculo e aproximar o teatro do cotidiano, nas palavras do diretor, cinco guerreiros mundurucus foram integrados o elenco da peça. Isso resulta, no palco, num realismo que faz a platéia se sentir no centro de uma comunidade indígena, com a sua organização própria e, junto, seus problemas e conflitos. A companhia busca com o espetáculo mostrar o aprofundamento e amadurecimento de um novo conceito, uma nova idéia e nova linguagem cênicas para o teatro da Amazônia Ocidental, segundo explica Vitalli.

A estrutura e linguagem mostradas na “Saga dos Mundurucus” fogem dos estereótipos forjados para os temas indígenas desde José de Anchieta perpassando por José de Alencar. Luiz Vitalli diz que a proposta estética e lingüística da peça está mais próxima de Antonin Artaud, com a sua proposta de representação teatral ritualística dos povos da ameríndia, de James Joyce, propositor da atualização e presentificação da mitologia grega com Ulisses, e, mais especificamente, os brasileiros modernistas Mário de Andrade e Raul Boop, que fizeram a associação do conteúdo de temática indígena a uma forma de expressão também indígena.

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