Dadaísmo num apartamento em Sampa

Três amigos se encontram em São Paulo. Dois jornalistas e um poeta. Oportunidade única para uma noite de balada e muita curtição. Na “vitrola” Beatles. No espaço mental sexo e um baseado. Noite avança. Papo cabeça descambando para o desbunde geral. Gargalhadas dobradas de tudo e de nada.Um dos três amigos vai para o PC e começa a dedilhar um texto dadaísta. Constrói uma prosa maluca numa codificação verbal que só ele e seus companheiros entendem. Entre um gole e outro de bebida e um tapa na marijuana, muitos devaneios sobre a vida. Sobre o estar vivo. Sobre as curvas tortuosas da estrada e outras curvas mais. Mulher no quarto ao lado.De repente o escriba turbinado solta uma gargalhada. Sua própria obra lhe facina.-Vejam, vejam só o que eu escrevi. Risos incontroláveis.Vem o amigo músico e …-Esse texto está do caralho! Eu tenho que complementar isso aqui.Toma de assalto o PC, desabrigando o jornalista do seu devaneio dadaísta e começa a teclar. Goles de bebidas e mais tapas na marijuana. Apartamento enfumaçado. Uma Sampa dorme, enquanto outra Sampa está acordada. E de olhos vermelhos. Chapada.E o artista teclando. De repente, mais risos. A construção dadaísta funciona como uma síndrome de risos a atacar o terceto fantástico. O texto remete a lembranças do passado que, devidamente codificadas, só eles entendiam e das quais só eles podeiam rir. Envolvia outros parceiros de noitadas. Acontecimentos passados no estremo Norte do Brasil.Vem o segundo jornalista. O que ainda não havia entrado na história. Chapadão, se aproxima do PC e do se amigo artista para ver o motivo de intensa gargalhada. Aproxima-se da tela do PC com seus óculos de lentes enfumaçadas. E tome mais riso.-Eu também preciso complementar isso aí. Tá muito bom! Tenho que deixar a minha marca também. kakakakakakaka.Escreve uma linha incompreensível para qualquer um que não compunha aquele trio. Só eles entediam. Os três juntos gargalharam desbragadamente. Tanto que acordaram a garota que repousava (?) suas curvas no quarto ao lado.A agitação eletrizante da sala e a fumaça na “cachola” contagiou a “mina”. Juntos, os quatro riram madrugada adentro. Já não sabiam mais do quê. Amanheceu. O relógio batia sete da manhã, e marcava horas de gargalhadas incontidas.

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