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Estado de abandono

O tempo passou e agora me vejo inclinado a escrever sobre uma história que me incomodou muito à época em que aconteceu. Porque é uma sensação esquisita ver um amigo seu convalescendo numa cama, vítima de um tiro, sabe-se lá de quem, e depois vê-lo ter que ir embora porque os autores dos disparos não se deram por satisfeitos e passaram a assediá-lo para “completar o serviço”. Só agora vou falar sobre esse episódio.

Cenário: uma repartição pública do Estado. Noite. Barulho esquisito no andar de cima. Vigia vai averiguar do que se trata. Vê-se surpreendido com a presença de elementos estranhos ao ambiente. O que fariam ali sujeitos que entram pelos fundos, à noite, na surdina? Troca de tiros. Pow! Pow! Um sai ferido. Talvez os outros também. Quem levou a pior foi o vigia. Na verdade, um policial militar a serviço do Estado.

Vem o socorro sem a agilidade necessária. Destino: Pronto Socorro estadual. Resultado do cumprimento do dever: uma cirurgia de mais de dez centímetros que rasga seu abdome. Bala passou perto da espinha dorsal. Saiu pelas costa. Menos Mal. Dias de convalescença para um espírito impulsivo. Surpresa desagradável: a vítima começa a ser seguida à espreita. Situação curiosa. Misteriosa, diria.

Da parte do Estado, morosidade. Polícia Militar quer por a culpa na vítima. Tempo passa. Nada de se resolver a situação. À distância o policial sente que não valeu à pena colocar sua vida em risco no cumprimento do dever. Em vez de ter tido o seu trabalho reconhecido, recebeu a culpa por ter sido alvejado. Desprezado, foi deixado à própria sorte. Que Estado é esse que desampara os homens que o servem? Este é um caso para indenização. Cadê o resultado da perícia? O que ela diz? Até agora, só silêncio.

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