Acusado de usar dinheiro da Câmara em sua pré-campanha, Bolsonaro faz discurso extremista em Roraima e critica a imprensa

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Hino Nacional. Hino do Exército. Hino da Bandeira. Paródias de músicas de gosto duvidoso enaltecendo o postulante direitista ao Planalto. Discursos com apelo político-religioso. Esse coquetel discursivo que permeou o ato de lançamento da pré-candidatura do empresário Antônio Denarium (PSL) ao governo de Roraima, com a presença do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) – a estrela do dia, segundo os organizadores da visita -, resultou num evento com apelo marcadamente nacionalista de direita. Bolsonaro foi chamado o tempo inteiro de “mito” pelos seus seguidores roraimenses.

Por um dia, parte dos fiéis da Igreja Evangélica Assembleia de Deus, que têm em seu líder, o pastor Isamar Ramalho, pré-candidato a senador – esqueceu o Cristo para seguir um Messias tupiniquim, Bolsonaro. Os discursos, que se pretendiam grandiloquentes, eram toscos, meio que paridos a fórceps. Na sua fala, por exemplo, o pastor Isamar comparou Jair Bolsonaro a Moisés, o homem designado por Deus para libertar o povo do Egito, segundo a Bíblia Sagrada.

“Assim como Moisés libertou o povo do Egito, assim também este homem (Bolsonaro que ele pronunciava sempre como “Bolsanaro”) vai livrar o Brasil dessa situação de corrupção”, disse.

Falando a seu próprio respeito, Isamar Ramalho disse que “Deus tem seus planos para o meu pastorado, mas abriu uma janela em meu pastorado e me chamou para ser candidato a senador por Roraima”. Antes do pastor começar a falar, foi exibido um vídeo mostrando todos os seus feitos à frente da Igreja Assembleia de Deus, desde os investimentos feitos com os dízimos e ofertas dos fieis em educação, assistência social até a ampliação do número de templos em todo o estado em mais de 600%.

Quando chegou sua hora de falar, Bolsonaro fez um discurso cheio de dubiedade. Num primeiro momento afirmou que pretende chegar “ao lugar mais importante que existe na República”, a presidência. Depois, disse que ainda não está em campanha. “Isso nem passa pela nossa cabeça. Ainda não é o momento”, afirmou o pré-candidato, mesmo estando em campanha aberta desde o ano passado, visitando vários estados brasileiros, fazendo discursos e se apresentando pré-candidato.

Um dos alvos das críticas de Bolsonaro foi a mídia brasileira, que, segundo ele, “é vendida e mente”. O seu filho, Eduardo Bolsonaro, por exemplo, disse que a campanha do pai não precisa da mídia. “Nossa mídia são esses smartphones bonitos que vocês têm nas mãos”. “Para nós não bastará ganhar a eleição. É preciso manter no poder. Porque depois da eleição esses ataques vão aumentar. Vocês estão dispostos a ser chamados de nazistas, extremistas, homofóbicos? Nós contamos com vocês. Postem cada foto de hoje nas redes sociais, porque nossa mídia é o celular de vocês”, disse o deputado por São Paulo.

Bolsonaro, o pai, disse que mídia sempre o desqualifica como extremista, nazista e agora “mente dizendo que eu estou fazendo campanha com dinheiro da Câmara”. “Eles não cansam de falar mentiras”, acusou.

O postulante ao planalto ainda falou sobre a necessidade de defender os valores familiares e o direito dos cidadãos a ter uma arma de fogo. Depois disparou contra o PT, Lula e a esquerda. Chamou ex-presidente, hoje preso, de ladrão. “Nós não podemos dar espaço para PT, PC do B, PSOL ou a nenhum outro partido socialista. Nós temos que estar do outro lado, com partidos que tenham compromisso com o Brasil”, disse. “Ser honesto não é virtude. É obrigação”, afirmou, no mesmo dia em que foi acusado pela imprensa do Sul do Brasil de estar usando mais de R$ 500 mil da Câmara dos Deputados para custear suas viagens pelo país. Fez mais afagos em seus seguidores roraimenses. “Roraima é um estado pujante, o estado com o solo mais rico do Brasil. Só precisa de políticos com vergonha na cara”, disparou.

Já o pré-candidato ao governo, Antônio Denarium pregou a necessidade de mudança, a retirada dos políticos de carreira dos cargos que ocupam hoje, com pouco resultado prático para a população. Criticou a governadora Suely Campos (Progressistas) que, segundo ele, “enganou a população nas eleições de 2014 com promessas que nunca cumpriu”. Denarium se considera qualificado para governar o estado e diz que vai otimizar os recursos, diminuir a dívida pública e aplicar o dinheiro em melhorias para a sociedade roraimense.

Denarium comemorou o sucesso do evento em sua página no Facebook:

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