Breve leitura da corrida para o Governo de Roraima nesta pré-campanha

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Faltando pouco mais de três meses para as eleições de outubro, os principais pré-candidatos ao Governo de Roraima estão com o bloco na rua, vivendo intensamente a pré-campanha, que nada mais é do que uma campanha eleitoral disfarçada (uma dessas pérolas criadas pelos políticos brasileiros para deixar tudo igual ao que era antes da suposta mudança). Uma das perguntas que eu mais tenho escutado por esses tempos é: “e aí, quem você acha que vai para o segundo turno?” Essa pergunta demonstra que o eleitor tem a mesma percepção que eu: a campanha já está em pleno andamento, só que com uma maquiagem à qual deram o nome pré-campanha.

Como jornalista, eu tenho conversado com muita gente, tenho entrevistado muitos políticos, inclusive os pré-candidatos ao governo e ao Senado. Daí que minha impressão é que se a eleição fosse no próximo domingo, digamos, poderíamos ter um segundo turno entre José de Anchieta (PSDB) e Antônio Denarium (PSL). Aí me perguntam de volta: você está desconsiderando a capacidade da governadora Suely Campos (Progressistas) que tem a máquina do estado nas mãos? Minha resposta mais imediata é: Chico Rodrigues e José de Anchieta também tinham a mesma vantagem da máquina em 2014 e perderam feio a eleição.

Suely faz um governo capenga, cheio de problemas, denúncias de irregularidades, incapacidade de cumprir compromissos e a chefe do Executivo ainda tem as desvantagens adicionais de ser ruim de discurso e pouco afeita ao trato político. Passados três anos da sua administração, são muitos problemas a serem resolvidos, com o fator adicional da imigração que estrangulou a capacidade de estado oferecer serviços essenciais de qualidade, como saúde, educação e segurança pública.

Suely-Anchieta-Telmário-e-Denarium
Os principais candidatos ao governo de Roraima – Suely, Anchieta, Telmário e Denarium – estão com o bloco na rua, tentando conquistar corações e mentes dos eleitores

Como se não bastasse isso, Anchieta tem conseguido empolgar de forma inexplicável uma parcela significativa do eleitorado, aquela mesma parcela que reprova de forma veemente a gestão de Suely. Por outro lado, o empresário Antônio Denarium, para mim o fator surpresa dessa pré-campanha, tem agregado apoio à sua pré-candidatura e crescido muito nas pesquisas feitas para consumo interno. Para parte do eleitorado, mais vale cometer um erro novo do que repetir os erros do passado ou do presente. É o que eu escuto. Denarium ainda precisa de livrar da pecha de que é o candidato dos ricos e carece de refinar e aprimorar seu discurso.

Temos ainda o pré-candidato Telmário Mota (PTB) que tem um discurso de grande apelo popular, mas pesa contra ele a percepção quase unânime de que desapontou a sociedade roraimense como senador. Telmário foi o candidato azarão de 2014, que acabou surprendendo e derrotando José de Anchieta e Luciano Castro na corrida pela única vaga em disputa para o Senado naquele pleito. Agora, quatro anos depois, ele usa da mesma estratégia para se credenciar como candidato ao Palácio Senador Hélio Campos. Andando de norte a sul por este estado, tenho escutado que “dois raios não caem no mesmo lugar em diferentes invernos”. Telmário será certamente um nome forte na disputa, mas não sei se conseguirá empolgar o eleitorado como o fez em 2014.

Por outro lado, pode ser que Suely consiga corrigir os rumos da sua administração nessa reta final de mandato e, assim, melhorar seus índices de rejeição hoje muito altos e de aceitação que beiram ao rés do chão. É claro que a máquina administrativa sempre tem um peso muito grande numa disputa eleitoral. Mas para que ela faça a diferença, o time precisa ser extremamente competente e estar afinado com o mesmo objetivo. As novas adesões de apoio ao governo, da qual faz parte e representa o maior peso o ex-deputado federal Luciano Castro (PR), têm o objetivo de tentar corrigir os rumos do que ainda não deu certo no governo de Suely. Resta saber se haverá sintonia suficiente entre o governo, seus colaboradores e seus novos apoiadores para tanto. Esse fator pesará bastante.

Ainda assim, não será uma disputa fácil para Suely nem para ninguém. Tem muita gente apostando que a governadora vai crescer nas pesquisas a partir de agora. Mas escuto muita gente que considera que seu governo morreu de véspera, sepultando por antecipação suas chances de se reeleger. O fato é que teremos uma campanha completamente diferente de todas as outras anteriores. Será uma disputa acirrada, com muita gente fazendo de tudo para salvar a própria pele a qualquer custo. Não à toa, eu batizei o pleito eleitoral deste ano de “Jogos Vorazes”.

Penso que vai chegar no segundo turno quem errar menos e quem for capaz de convencer o eleitorado de que representa o novo ou o diferente nesse mar de mesmices. A conferir.

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