O presidente da Comissão da Colheita da Soja 2018 fez severas críticas ao governo e à classe política do estado

Briga de grupos políticos pelo poder entrava desenvolvimento de Roraima, diz produtor

O tom do discurso do produtor rural Ermilo Paludo, presidente da Comissão Organizadora da Colheita da Soja 2018 (COC Soja), durante café da manhã com a imprensa nesta terça-feira (14), foi de críticas severas, mas não infundadas, à classe política roraimense e ao governo estadual.

Ao afirmar que Roraima patina há décadas na busca por um modelo de desenvolvimento, Paludo disse ser “vergonhosa a falta de respeito do poder público para com o estado”. E sobrou para todo mundo: para o Governo do Estado, para a bancada federal e para “essa Assembleia [Legislativa] que está aí”.

Ermilo Paludo disse que nos últimos 30 anos quase nada foi feito, efetivamente, para levar Roraima ao desenvolvimento. “Roraima não tem energia. Roraima não tem domínio sobre suas terras. Onde estão os representantes políticos desse estado? O que foi feito nesses 30 anos?, questionou.

Num tom marcadamente político, o presidente da Colheita da Soja 2018 disse que, ao longo das últimas três décadas, não houve investimentos por parte do poder público em infraestrutura, como estradas, para possibilitar o desenvolvimento do agronegócio no estado.

Reforçando seu descontentamento com a classe política, Paludo disse ser preciso definir qual o modelo político que se quer para Roraima. “Qual o futuro que queremos para o nosso estado. Essa deve ser uma preocupação não apenas dos produtores rurais, mas de todos”, frisou. Segundo o produtor rural, os políticos locais se detém em brigas paroquiais pelo poder enquanto os problemas que entravam o desenvolvimento do estado se arrastam há anos sem solução.

“Nós não precisamos que o estado nos dê insumos. O estado precisa investir é em infraestrutura. O produtor rural quer a segurança jurídica das terras, mas os grupos políticos só brigam uns contra os outros. Nós precisamos que às instituições do estado funcionem”, disse ele.

Segundo Paludo, os produtores rurais representam o Brasil que funciona. “É muito difícil empreender em Roraima. São muitos os desafios”, disse ele, citando como um dos empecilhos ao desenvolvimento do estado a falta de energia confiável. “Ninguém faz nada para [possibilitar] a conclusão do Linhão de Tucuruí. E não tem nada a ver com a falta de acordo com os índios. O que falta, mesmo, é vontade política”, afirmou.

Colheita da soja

Este ano os produtores de soja devem colher cerca de 120 mil toneladas de grãos. A todo foram plantados 40 mil hectares, 8 mil hectares a mais que em 2017. Isso representará a movimentação de R$ 146 milhões com a venda dos grãos.

A abertura da Colheita da Soja 2018 será no período de 31 de agosto a 1 de setembro, num evento organizado pela Comissão Organizadora da Colheita da Soja e a Federação da Agricultura e Pecuária de Roraima (FAERR).

Sílvio de Carvalho, presidente da FAERR, destacou que nas últimas três safras, a produção de soja aumentou em média 7 mil hectares de área plantada a cada ano. A expectativa, segundo ele, é que em 2018 Roraima tenha uma colheita de soja 25% maior que a do ano passado. “Os produtores de soja são um grande exemplo para nós”, disse.

De acordo com os dados apresentados por Carvalho, se somadas as áreas soja, arroz, milho, feijão e algodão, Roraima tem 60 mil 250 hectares de grãos plantados, o que ainda é muito pouco em relação à capacidade produtiva do estado. A expectativa é que dentro de três ou quatro anos o estado chegue aos 100 mil hectares.

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