Como já mencionado aqui, na terça-feira, 1º de Maio, eu entrevistei o médico e pré-candidato a deputado federal, Wirlande da Luz (PROS), em meu programa Direto ao Ponto, na Rádio Tropical FM. Pois bem, naquela mesma ocasião, decidi fazer uma espécie de continuação da entrevista aqui para o blog, abordando apenas questões relativas à saúde.

Uma vez que boa parte da entrevista no programa de rádio girou em torno da má gestão na saúde estadual nos dias correntes, busquei focar a conversa na experiência de Wirlande da Luz também na gestão pública da saúde.

Nas linhas abaixo ele fala sobre ações e decisões importantes que, tomadas ainda no início dos anos 2000, colocaram a capital Boa Vista num outro patamar no que diz respeito às políticas de saúde voltadas à população. Confira nossa conversa a seguir:

Dr. Wirlande, o senhor tem uma vasta experiência na área da saúde pública, inclusive como gestor, pois atuou como secretário de saúde de Boa Vista. Esse conhecimento é importante, principalmente para quem pretende atuar na defesa da melhoria da qualidade da saúde como parlamentar. Conte um pouco da sua história como gestor nessa área.

Em 2000, após sagrar-se vencedora da eleição para a prefeitura do município de Boa Vista, a prefeita eleita Teresa Jucá, hoje Teresa Surita, me convidou para compor seu primeiro escalão como secretário municipal de saúde. Embora eu estivesse num momento primoroso da minha carreira como médico, aceitei o desafio, pois entendi que seria a oportunidade de contribuir como gestor, ajudando nesta área a prefeita recém-eleita.

Como foi encarar esse desafio, uma vez que aquela era a primeira vez que o senhor atuaria como gestor público de saúde?

Eu me cerquei de técnicos competentes e honrados, e fomos à luta. Muita coisa precisava ser feita para melhorar a assistência médica na capital.

Começamos pela Atenção Básica e Preventiva nos Postos de Saúde, ampliando o Programa Saúde da Família – PSF (hoje chamado de Estratégia Saúde da Família) de 5 (cinco) equipes incompletas, para 42 (quarenta e duas) equipes completas. Com isso, nós dobramos o número de Unidades de Saúde e conseguimos elevar a assistência à saúde para 75% da população de Boa Vista. Ganhamos inclusive menção honrosa do Ministério da Saúde, como a Capital com maior assistência no Programa Saúde da Família.

Ampliamos as equipes de Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e Agentes de Endemias e, com o apoio incondicional da prefeita Teresa, conseguimos um abono salarial para estes agentes, com isso, intensificamos nossas ações no combate ao mosquito da Dengue e Malária.

O senhor também operou uma mudança significativa no que diz respeito às equipes do programa então chamado de Saúde da Família, inserindo profissionais de saúde bucal. O que o fez tomar essa decisão?

Exatamente. Sentindo a necessidade de uma assistência em Saúde Bucal eficiente, introduzimos nas equipes do PSF, as equipes de Saúde Bucal com dentistas em dois horários. Ainda nesta área, criamos o Centro de Especialidade Odontológica – CEO, no Centro de Saúde da Mecejana. Para isso, através de convênios, adquirimos equipamentos odontológicos modernos, e instalamos nas Unidades de Saúde.

Houve uma mudança também no tocante à oferta de medicamentos, certo. Como foi que ela aconteceu?

Isso mesmo. Para que os pacientes pudessem ter acesso a mais medicamentos, implantamos duas Unidades da Farmácia Popular na rede pública do município de Boa Vista, onde os medicamentos eram adquiridos com o valor de até 75% do valor de mercado. Essa farmácia vinha complementar a oferta de medicamento na farmácia básica das Unidades de Saúde e, posteriormente, foram absorvidas pelas farmácias privadas.

Suas ações na gestão da saúde municipal beneficiaram ainda crianças que sofriam de uma doença que mexe diretamente com a autoestima das pessoas, como é o caso do lábio leporino. Fale um pouco sobre esse assunto.

No Hospital da Criança Santo Antônio, fizemos à época, o cadastramento de crianças com lábio leporino e fenda palatina e iniciamos a correção dessa má formação congênita com uma equipe de multiprofissionais composta por Assistente Social, Fonoaudiólogo, Psicólogo, Cirurgião buco-maxilar e Cirurgião Plástico. Essa equipe foi o embrião para que posteriormente se implantasse uma assistência permanente na correção dessa má formação no município.

Foi também durante sua gestão à frente da SEMSA que foi criada no HCSA a residência médica em pediatria. Como foi que aconteceu esse processo?

Sim. Ainda no Hospital da Criança Santo Antônio, por incentivo, apoio e coordenação dos médicos professores da UFRR, Dra. Stella Maris Sansevero e Antônio Sansevero, criamos a Residência Médica em Pediatria para que, os recém-formados na nossa Faculdade de Medicina que quisessem se especializar em pediatria, tivessem a oportunidade de fazê-lo sem ter que sair de Roraima. Foi a primeira Residência Médica de Roraima, abrindo caminho para as demais especialidades.

Que outras ações o senhor considera que foram importantes nessa sua primeira incursão como gestor público na área da saúde?

Implantamos o Cartão SUS (CardSus) e iniciamos o Cadastramento Único que serviu de base para todos os programas sociais como Bolsa Alimentação, que deu origem ao Bolsa Família. Realizado em parceria com o Programa Braços Abertos da PMBV. Também fizemos a informatização de todos os Programas de Saúde alimentando a base de informação do DATASUS.

O senhor teve o apoio da prefeita Teresa para realizar todas esses projetos e ações?

Quero deixar claro, que estas realizações só foram possíveis com o apoio incondicional da prefeita Teresa, e pelo nível de confiança existente entre eu e ela enquanto gestora. Encerrei minha gestão com todas as contas aprovadas pelos órgãos fiscalizadores, o que, apesar de ser uma obrigação, é muito raro nos dias de hoje.

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