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Desesperado, Jucá quer calar a imprensa por mostrar suas relações com a Oliveira Energia

O senador Romero Jucá (MDB) está desesperado porque aparece em terceiro lugar nas pesquisas de intenção de votos em Roraima. Temendo não se reeleger, o que pode significar ter que acertar contas com a Justiça Federal em Curitiba (PR), ele agora atira para todo lado e quer cercear o direito de livre expressão e opinião de veículos de comunicação e jornalistas como eu, alegando suposta infração à legislação eleitoral. Recebi uma notificação motivada por comentário que fiz ontem mesmo no programa Direto ao Ponto, da Rádio Tropical FM (94.1). A emissora foi acionada judicialmente pela defesa do senador, por suposto crime de calúnia e difamação.

Jucá, que geralmente usa e abusa das suas emissoras de rádio e televisão para atacar covardemente seus adversários, não aguenta um simples comentário feito num programa de rádio. Diante da sua impopularidade galopante e de sua situação incômoda nas pesquisas, o político roraimense anda destemperado.

Vamos aos fatos: no programa Direto ao Ponto desta sexta-feira (31), ao tratar sobre a venda, por apenas R$ apenas R$ 50 mil, da Boa Vista energia para a empresa Oliveira Energia, de Manaus (AM), eu fiz uma série de ponderações sobre o que considero serem prejuízos para a sociedade roraimense decorrentes da venda da distribuidora de energia. Finalizei meu comentário com a seguinte afirmação: “E só para lembrar: a Oliveira Energia foi trazida aqui para Boa Vista já preparando essa possibilidade de compra da Boa Vista Energia pelo Senador Romero Jucá. Não se esqueçam disso.”

Foi com base nessa afirmação que Jucá acionou a Rádio Tropical sob a acusação de calúnia e difamação.

Ora, pois! Até as pedras pré-históricas do Monte Roraima sabem do interesse de Romero Jucá em contribuir para o estabelecimento da Oliveira Energia aqui no estado. A empresa, que outrora era uma desimportante revendedora de motores de barco no Amazonas, se transformou em pouco tempo num empreendimento com envergadura suficiente para adquirir a Boa Vista Energia. O crescimento da Oliveira Energia se deu durante o governo Lula de quem Jucá foi líder por longos anos no Congresso Nacional.

O próprio senador Romero Jucá externou, em 3 de fevereiro de 2017, sua satisfação em contribuir para o estabelecimento da Oliveira Energia em Roraima. Afirmou, orgulhoso, em matéria publicada em seu próprio site, ter articulado para conseguir recursos para a contratação dos geradores da empresa para abastecer municípios do interior roraimense.  

Reproduzo um trecho da matéria postada no site do senador Jucá, registrando a sua visita ao parque térmico da Oliveira Energia, onde ele fala da sua satisfação de ter conseguido os recursos para a contratação das termelétricas da empresa manauara. Na sequência faço a reprodução capturas de tela que fiz da matéria, antes que ela seja apagada da rede mundial de computadores:

O senador Jucá articulou junto ao Governo Federal os recursos para os equipamentos,   que vão garantir para a população do interior uma energia de qualidade e confiável. “Os geradores que serão instalados correspondem a 80% das usinas do interior, até março o serviço estará concluído. Estou satisfeito em ter contribuído com este trabalho e ficarei apoiando para que novas ações (grifo meu) sejam feitas para beneficiar a população”, afirmou Jucá.

Jucá e a Oliveira Energia

Em seu próprio site, Romero Jucá registra seu empenho em beneficiar a Oliveria Energia com contratos milionários para a venda de energia térmica em Roraima

Esse texto acima foi escrito pela Assessoria de Comunicação do senador Jucá, que o despachou para a imprensa no começo do mês de fevereiro de 2017 e também o publicou no site do político. Escrevi uma extensa matéria para o BNC Roraima, quando era editor do portal, sobre as relações de Jucá com a Oliveira Energia, da qual reproduzo um trecho abaixo.

Na última sexta-feira (3), o senador Romero Jucá (PMDB) fez uma visita aos novos geradores da usina termelétrica Oliveira, localizada na região de Monte Cristo. Ele foi conhecer 18 grupos geradores de energia adquiridos pelas empresas que operam o sistema de termelétricas no estado. Conforme sua assessoria de Comunicação, foi Jucá que articulou junto ao Governo Federal os recursos para a locação dos equipamentos. Os sucessivos diretores da Eletrobras Roraima têm sido indicação política de Romero Jucá”.

Curiosamente, Jucá nunca me acionou judicialmente por tê-lo ligado à Oliveira Energia já em fevereiro do ano passado. Somente agora, quando está vendo sua reeleição correndo o risco de ir para o ralo, é que se sentiu incomodado.

No mais, Jucá ainda foi o relator do processo de privatização do setor elétrico numa das comissões do Congresso Nacional e deu parecer favorável para a venda. Parece-me evidente as relações entre Jucá e a Oliveira Energia existentes nessa transação.

Desesperado, no entanto, Jucá quer negar o óbvio ululante. Na acusação de calúnia e difamação que faz contra a Rádio Tropical FM, devido a afirmações que fiz no meu programa, a defesa de Jucá diz que ele “apenas” atuou como relator do processo de venda das empresas de energia. Na verdade, a atuação de Jucá foi muito maior que isso. Pelo menos aqui em Roraima.

O que ocorre é que Jucá age como um daqueles moleques birrentos que, quando está perdendo o jogo, toma a bola, a coloca debaixo do braço do braço e vai embora. Mas, quem está para dar um cartão vermelho ao ilustre e influente senador são os eleitores de Roraima. Prepare-se, Jucá, sua hora parece estar chegando!

Para finalizar, reproduzo também um trecho de matéria da revista Veja, que recebeu o sugestivo título de “Luz a peso de ouro”, e é datada de 3 de novembro de 2017, que também destaca as digitais de Jucá na atuação da Oliveria Energia em Roraima. Grifei e negritei alguns pontos que considero importantes. A matéria da Veja foi reproduzida pelo Jornal Folha de Boa Vista, de onde pincei os trechos abaixo:

Um megawatt-hora em Roraima custa, em média, 931 reais. Isso representa mais do que o dobro da tarifa média no Sudeste. A energia das térmicas no estado custa ainda mais: 1 713 reais por megawatt-hora. É um custo, porém, que não bate diretamente no bolso dos roraimenses. A tarifa média cobrada dos consumidores é 383 reais. A diferença entre o custo de geração e o efetivamente cobrado nas contas de luz é coberta pela Conta de Desenvolvimento Energético (CDE). O fundo existe para bancar o fornecimento em regiões isoladas ou de baixa renda. Os recursos da CDE vêm de um encargo que é cobrado de todas as contas de energia do país, e parte do dinheiro banca o óleo diesel consumido pelos geradores em Roraima. O subsídio energético ao estado deve somar 800 milhões de reais neste ano.

Não faz sentido subsidiar a energia em uma área tão isolada. O que faz menos sentido é a maneira como os contratos de fornecimento vêm sendo celebrados — e aí começam a despontar as particularidades do estado e as pegadas de Jucá. A empresa que responde pela distribuição é a Boa Vista Energia, subsidiária da Eletrobras. Antes, ela dividia o serviço no estado com a Companhia Energética de Roraima (Cerr), cuja concessão de funcionamento foi cassada no ano passado, pelo alto volume de dívidas.

Luiz Henrique Hamann, apadrinhado de Jucá, dirigiu ambas as companhias. Saiu do comando da Boa Vista Energia em 2016 para alçar um voo maior: foi indicado pelo senador para a diretoria de distribuição da Eletrobras, onde despacha atualmente. Foram a Boa Vista e a CERR que contrataram as empresas escolhidas para fornecer os geradores. Mas não deveria ter sido assim. Em outros estados, essa missão cabe à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Um decreto de 2010 tirou a responsabilidade da organização dos leilões de geração de energia nos sistemas isolados das mãos das distribuidoras locais. A razão era simples: como as subsidiárias da Eletrobras foram loteadas pelos políticos locais, os leilões padeciam de vícios de todos os tipos. Outro decreto atribuiu às geradoras de energia, e não mais às distribuidoras, a responsabilidade pela compra do combustível das térmicas. Isso porque havia sinais de superfaturamento: as distribuidoras estatais indicavam quantidades maiores que o necessário e o volume excedente era contrabandeado.

(…)

Mas o pobre Estado de Roraima conseguiu ser uma exceção. A conta, ora bolas, seria dividida entre todos os brasileiros.Segundo portarias publicadas pelo Ministério de Minas e Energia em 2013, 2014 e 2016, o estado se encontrava em situação emergencial. Por isso, as empresas locais deveriam cuidar dos contratos. Na prática, o ministério, controlado até 2016 pelos caciques do PMDB do Norte e do Nordeste, deu aval ao estado para que fechasse contratos emergenciais, a custos elevadíssimos”.

Eu preciso dizer mais alguma coisa, meus caros? Tirem as suas conclusões.

Jucá tem todo o sagrado direito de espernear, dada a sua incômoda situação no decorrer da campanha eleitoral deste ano. Ele só não pode querer apagar da história recente e da memória das pessoas acontecimentos e ações praticadas por ele mesmo ou que o envolvem e que foram fartamente registradas pela imprensa. Inclusive por seus próprios veículos de comunicação.

 

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