Horizonte nebuloso

“Onde o sol clareia de noite? No Japão?”.

Parece a pergunta de uma criança para seu pai. Mas não é. Foi feita por uma jovem senhora de aproximadamente 30 anos, que dividia comigo o banco de um lotação, nas ruas de Boa Vista, Roraima.

A conversa meio desconexa tratava sobre o clima quente e o sol escaldante de Roraima. Quarenta graus à sombra na maior parte dos dias.

De repente, a mulher fez a pergunta que abre este post:”Onde o sol clareia de noite? No Japão?”.

A sua indagação inocente e sincera, me fez lembrar meu tempo de infância, quando lá pelos meus cinco anos eu também acreditava que, se cavasse bastante, acabaria encontrando homenzinhos de olhos puxados. Ou seja, que chegaria ao Japão.

Trágico é perceber que a falta de instrução faz com que pessoas que deveriam saber ler o mundo para melhor se posicionar na vida e tomar decisões vivem na escuridão do analfabetismo.

A [falta de] qualidade da educação no Brasil é deprimente. Boa parte dos estudantes de ensino médio, jovens que estão prestes a entrar na universidade, têm uma bagagem de leitura insignificante e sequer dominam o idioma pátrio.

Como professor do ensino médio, cheguei a pegar turmas inteiras que sofriam de uma limitação tremenda no domínio da leitura e da escrita. Eram, na verdade, semi-analfabetos que foram sendo empurrados ano a ano de uma para outra série do ensino fundamental sem nada apreender do que estudavam.

Professores finigiam ensinar e esses alunos, coitados, fingiam aprender. Essa ainda é uma realidade que perdura nas salas de aula das escolas públicas brasileiras.

Essa é uma situação desumana. O chamado provão do Fantástico, realizado em todas as capitais brasileiras e exibido domingo passado no programa televisivo global, mostrou o quanto é preocupante a situação da educação no país.

A reportagem que se seguiu ao resultado do teste, sobre a situação das escolas públicas Brasil a fora, completou o quadro sombrio do ensino brasileiro.

Eu, que tenho experiência em sala de aula e que vivenciei por bom período a forma como são (des)feitas as políticas educacionais nos gabinetes, sei que esse quadro vai demorar muito para mudar. Muita briga de egos, disputa de poder e pouca inteligência e eficiência.

Nem mesmo programas supostamente bem intencionados como o PAC da Educação serão capazes de mudar o quadro atual no curto prazo.

O descaso com o setor educacional demonstrato pelo poder público em todas as esferas ao longo das décadas deixou sequelas gravíssimas que levarão anos para ser corrigidas. O sistema está atrofiado, anda de muletas…

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