julio cezar de medeiros

Júlio César quebra o silêncio e diz ter sido vítima de ‘armação covarde’

Depois de uma semana de absoluto silêncio sobre a denuncia de agressão física feita pela sua ex-chefe de gabinete à polícia, o vereador Júlio Cezar de Medeiros (Podemos) compareceu à sessão da Câmara Municipal de Boa Vista desta quarta-feira (15) disposto a, segundo ele, esclarecer o caso de uma vez por todas. Na sessão de terça-feira (14) a Casa aprovou um uma representação na Comissão de Ética contra o parlamentar, pedindo a apuração dos fatos denunciados pela ex-servidora.

Munido de imagens das câmeras de monitoramento da sua residência, onde a agressão teria ocorrido, e acompanhado de várias pessoas que apresentou como testemunhas da “armação” da qual disse estar sendo vítima, o parlamentar exibiu vídeos no painel do plenário da Câmara e pediu da mesa-diretora a invalidação do requerimento que pede a abertura de um processo para investigar os fatos denunciados pela sua ex-chefe de gabinete.

Um dos vídeos exibidos por Medeiros mostra o momento em que o filho da ex-servidora chega de carro à sua casa e, momentos depois, passa a quebrar o portão. Segundo o relato da denunciante à polícia, seu filho queria livrá-la da situação constrangedora em que era mantida na residência de Medeiros. Conforme a versão do vereador, o filho da denunciante estava com raiva porque havia sido demitido junto com sua mãe. Medeiros afirmou que “as imagens falam por si” e que aquela “é a única verdade” sobre o caso.

Medeiros disse que houve agressões verbais das duas partes, mas negou que tenha agredido fisicamente a ex-servidora. “É preciso saber separar o que discussão do que é agressão”, disse. O vereador reconheceu ter ficado exaltado com a confusão, mas afirmou apenas ter defendido seu patrimônio e sua integridade. Disse ainda ter entrado no carro do filho da ex-chefe de gabinete para apanhar seus telefones celulares, que estariam com ela, e o dinheiro de alugueis que a denunciante havia recebido para ele, demonstrando que, até ali, ela ainda trabalhava para ele.

Pontos de incoerência na versão de Medeiros

A narrativa de Júlio Cezar de Medeiros sobre os fatos que se passaram na sua casa apresentaram alguns pontos contraditórios. O vereador começou a apresentação da sua versão dos fatos dizendo que a discussão com a ex-servidora foi decorrente da demissão dela, do seu filho e de outra pessoa da família da ex-funcionária, o que teria causado um impacto de R$ 9 mil na orçamento familiar da denunciante. Em outro momento da sua fala, Medeiros disse que demitiu a ex-chefe de gabinete depois da confusão.

O vereador buscou amparo nos vídeos das câmeras de monitoramento da sua casa para afirmar, o tempo inteiro, que estava sendo vítima de “uma armação covarde por parte de uma servidora que foi demitida”. Júlio Cezar de Medeiros disse ter sido vítima de difamação nas redes sociais e de tentativa de extorsão de administradores de páginas no Facebook, que queriam dinheiro para não repercutir a denuncia na rede social.

“Nós vivemos na era das Fake News, na era de apontar e julgar sem ouvir o outro lado. Eu jamais trisquei (sic) um dedo nessa servidora ou em qualquer outro servidor”, afirmou. Ao mostrar os vídeos, o parlamentar disse que a ex-chefe de gabinete saiu da sua casa sorrindo. “Uma pessoa que foi agredida estaria assim?”, questionou. “Uma pessoa que sofreu a agressão que essa servidora diz ter sofrido escreve uma carta de próprio punho sobre o ocorrido usando palavras, como “bomba!, bomba!?”, prosseguiu.

Ameaça contra colegas

Medeiros demonstrou total descontentamento com 12 dos seus colegas de parlamento, que aprovaram o requerimento pedindo à Comissão de Ética da Casa para que apure os fatos. Como uma espécie de ameaça, apesar de afirmar que não era, ele disse que, a partir de agora, iria investigar todas as denúncias existentes contra os colegas vereadores, como aquelas que circulam na nos corredores da Casa segundo as quais alguns parlamentares ficam com metade do salário das pessoas contratadas pelos gabinetes.

“A partir de agora eu vou investigar tudo, todo sinal de fumaça. Não vou deixar passar nada, inclusive a relação de vereadores desta casa com negócios na Assembleia Legislativa”, afirmou. No final da sua exposição, Medeiros pediu que fosse anulada a votação da representação aprovada contra ele e que fosse colocado um novo requerimento em apreciação em plenário.

Medeiros recebe explicações e solidariedade

Alguns vereadores que assinaram o requerimento que pede a apuração dos fatos, como Renato Queiroz (MDB), Linoberg Almeida (Rede), Mirian Reis (PHS) e Ítalo Otávio disseram ter votado pela aprovação da representação porque era preciso dar uma resposta à sociedade sobre o fato, afinal tratava-se de uma denuncia de violência contra a mulher.

Solidário ao colega, o vereador Rômulo Amorim (PTC) criticou o que disse ter sido “discurso inflamado dos colegas” e acusou haver na Casa “candidatos querendo dar satisfação aos eleitores”. “Não dá para condenar no primeiro sinal de fumaça”, disse.

O presidente da Comissão de Ética da Câmara, vereador Albuquerque, disse ter ficado satisfeito com a narrativa de Júlio Cezar de Medeiros e afirmou acreditar na sua inocência. “Eu vi aqui muitos vereadores apressados para aprovar o requerimento. Eu me abstive de votar porque sabia que o vereador Júlio Cezar viria hoje à Câmara para esclarecer os fatos”, afirmou.

De sua parte, o presidente da Câmara, Mauricélio Fernandes (MDB), disse ter se dado por satisfeito com a narrativa de Júlio Cezar de Medeiros. “As imagens falam por si e mostram a intenção de prejudicá-lo”, disse Mauricélio, destacando que tentou convencer os colegas às adiarem a votação da representação aprovada contra Medeiros na sessão de ontem para sessão desta quarta-feira.”Infelizmente, fui voto vencido”, justificou.

Ao final da sua fala, Medeiros foi procurado pela imprensa para falar sobre o assunto, mas disse que só falaria nesta quinta-feira em entrevista coletiva.

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