‘Meu governo será transparente e isento de corrupção’, diz Denarium

Passado o frisson da campanha e a emoção da vitória nas urnas, o governador eleito Antônio Denarium (PSL) ainda não teve tempo para descansar. Nos dias que se seguiram ao pleito até hoje, ele tem participado de um número incontável de reuniões, com o objetivo de discutir a formação do seu governo e para se inteirar da situação do estado. Na busca pela transparência no processo de transição, Denarium foi buscar o apoio do Movimento Brasil Competitivo (MBC), uma ONG da iniciativa privada que defende as boas práticas administrativas na gestão pública.

De uma coisa ele já sabe: o desafio que ele tem pela frente é grande, muito grande. Mesmo assim, o empresário nascido em Anápolis (GO), mas apaixonado por Roraima, se diz disposto a trabalhar de forma incansável para colocar o estado no caminho do desenvolvimento. “Nosso primeiro desafio será arrumar a gestão do estado. Nós vamos fazer uma reforma administrativa”, anunciou na entrevista concedida ao Blog do Luiz Valério, nesta segunda-feira (26 de novembro).

Na reforma administrativa que pretende fazer, Denarium diz que vai extinguir algumas secretarias e reduzir cargos com status de secretário à condição de diretorias. Seu desafio maior, no entanto, será sanar as contas públicas. O processo de transição, iniciado no dia 21 de novembro, já demonstrou que o rombo é profundo. São muitos problemas a resolver e respostas a buscar para a sociedade. O governador eleito diz que fará uma auditoria das contas públicas do estado para saber onde foram parar os recursos do governo.

Acompanhe a entrevista a seguir:

Depois de iniciado o processo de transição de começar a tomar conhecimento da real situação financeira do estado, quais os principais desafios que o senhor considera que terá pela frente, no sentido de sanear as finanças do governo?

Denarium – Será um desafio muito grande governar o Estado de Roraima. Como todos sabem, esta é a primeira vez que fui candidato e este é o meu primeiro cargo político. Sou um empresário do setor agropecuário e do setor comercial. Nós vamos fazer gestão séria, honesta e isenta de corrupção.

O nosso primeiro desafio será arrumar a gestão do estado. Nós vamos fazer uma reforma administrativa. Algumas secretaria serão fundidas e alguns cargos que têm status de secretaria passarão a ter status de diretoria. Dessa forma, nós vamos reduzir o custo da máquina pública. O nosso maior desafio é melhorar a qualidade do serviço público com um custo menor.

Outro grande desafio são aqueles servidores que são concursados, mas estão à disposição. Nós precisamos aproveitar todos [na administração]. Hoje, na atual situação, nós não podemos permitir que no Estado de Roraima exista servidores que recebem, mas não trabalham. Isso é uma injustiça com os que trabalham e com toda a população roraimense, que conta com um grande número de desempregados.

Passada a emoção da vitória, e agora pensando friamente, como é acordar todos os dias sabendo que está em suas mãos a responsabilidade de gerir um estado à beira de um colapso financeiro?

Denarium – É um desafio muito grande. Esta é uma missão que eu tenho pela frente na minha vida. Eu sou acostumado a trabalhar de 14 a 16 horas por dia. E durante a eleição eu trabalhei muito. Depois da eleição, o trabalho e a responsabilidade aumentaram. Com isso, nós temos que manter os hábitos empresariais, os hábitos de trabalho, formar uma equipe que venha atender as necessidades da população e, o que é mais importante, fazer uma gestão onde toda a população possa ser tratada com respeito e com igualdade. Esse é o nosso propósito.

No mais, e nós já falamos muito sobre isso durante a campanha, é trabalharmos para atrair novos investidores, gerar emprego e renda e acabar com os entraves que têm no Estado de Roraima.

O senhor já anunciou boa parte do seu secretariado. O que pesou na escolha de cada nome até aqui?

Denarium – Na escolha de cada secretário pesou a capacidade técnica. Nenhum dos nossos secretários tive indicação política. É lógico que alguma indicação política que contemple os critérios técnicos será analisada. É bom lembrar também que nós levamos em consideração, na escolha dos secretários, os conceitos que são nossos: honestidade, trabalho, isenção de corrupção e ser fiel ao nosso propósito de governo que é de seriedade e transparência.

Governador, o senhor pretende fazer uma auditoria das contas do estado tão logo assuma o governo?

Denarium – A questão da auditoria foi falada, inclusive, durante a nossa campanha. Esta é uma cobrança da sociedade. Todos os servidores públicos, os empresários, os cidadãos querem saber onde foram parar os recursos do estado. Porque nós temos um governo hoje com dívidas de mais de R$ 2 bilhões, da qual estamos pagando juros muito altos. Temos também uma dívida corrente atual de mais de R$ 1 bilhão. Por outro lado, o governo fez apropriação indébita até mesmo da folha de pagamento dos funcionários, quando foram descontados os empréstimos consignados, o INSS, as contribuições do Instituto de Previdência e os recursos não foram repassados para os credores. Essa é uma situação muito grave e todo servidor público me cobra [uma auditoria das contas públicas].

Eu não tenho responsabilidade com os erros dos meus antecessores. Cada um é responsável pelos seus atos. Quem vai fazer essa fiscalização são os órgãos de controle, que é o Ministério Público Estadual e Federal, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) e a Controladoria Geral da União (CGU), que têm que analisar cada contrato, se os investimentos foram feitos e se os benefícios chegaram para a população.

Administrar Roraima não será uma tarefa fácil nos primeiros dois anos. Daí, eu pergunto: seu governo vai mesmo poder contar com o apoio e parceria efetivos do presidente Jair Bolsonaro para resolver os problemas mais imediatos do estado?

Denarium – O presidente Jair Bolsonaro é nosso parceiro e companheiro de partido. Ele demonstra um carinho muito especial por Roraima. Nós tivemos a primeira reunião de governadores eleitos com a participação do presidente e apresentamos uma pauta de reivindicações. Um dos problemas mais evidentes é o endividamento público. Todos os governadores presentes à reunião pediram a repactuação da dívida pública.

No mais, nós temos aqui em Roraima um problema muito grave que é a migração dos venezuelanos e ainda uma ação muito importante para fazer, que é a regularização fundiária do nosso estado. Precisamos também concluir o Linhão de Tucuruí para trazer energia confiável para Roraima, além da necessidade de fazermos o Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE). Precisamos retirar a corrente do Jundiá, entre outras ações importantes para retirar os entraves que impedem o desenvolvimento do nosso estado. Como já disse, precisamos fazer tudo isso para atrair novos investidores.

Qual é a função do Movimento Brasil Competitivo nesse processo de transição? Como o senhor chegou até o MBC?

Denarium – O Movimento Brasil Competitivo é uma ONG financiada pelo setor privado, que visa melhorar o funcionamento do setor público. Porque quanto melhor estiver funcionando o setor público, melhor será para o setor empresarial. Quanto menos entraves houver, melhor para o setor empresarial. Afinal, são os empresários que desenvolvem o comércio, a indústria e a pecuária, consistindo no maior gerador de emprego do País. O Brasil tem a maior carga tributária e o pior serviço público do mundo. Nosso País também está classificado como um dos que têm o maior índice de corrupção, além de termos baixo nível de competitividade. Então, nós precisamos de um governo aberto, transparente e que proporcione várias reformas para melhorar a economia do estado e do Brasil. Nesse contexto, ter o apoio do Movimento Brasil Competitivo também é uma forma de dar transparência ao processo de transição.

Tão logo terminou a eleição, eu visitamos todos os poderes de Roraima, Fomos ao TCE e convidamos três auditores fiscais para acompanhar o processo de transição. Convidamos um auditor fiscal do tesouro e outro da contabilidade da Secretaria Estadual da Fazenda, escolhido pelo próprio secretário, para também acompanhar a transição. Visitamos ainda o Ministério Público e pedimos a indicação de dois auditores do MP com o mesmo objetivo. Fizemos o mesmo pedido ao Tribunal de Justiça, que indicou também três servidores para acompanhar a transição de governo. Na Defensoria Pública do Estado e na Procuradoria Geral do Estado, igualmente. Então, temos a nossa equipe trabalhando em conjunto com os consultores do Movimento Brasil Competitivo e os profissionais do Governo do Estado, que estão acompanhando  o processo de transição, de forma de dar transparência à situação do estado. No meu governo, eu não tenho que esconder nada de ninguém. Nós vamos fazer um governo honesto, com transparência e credibilidade.

Quais secretarias deverão ser extintas no seu governo, na já anunciada reforma administrativa, de modo a enxugar e otimizar o funcionamento da máquina pública?

Denarium – Amanhã [terça-feira, 27 de novembro] nós vamos anunciar o nome de cinco ou seis novos secretários. Hoje, inclusive, nós estamos definindo a reforma administrativa. Mas posso dar um exemplo, digamos, a grosso modo. O Cerimonial do Palácio e a Rádio Roraima que têm status de secretaria poderão se fundir com a Secretaria de Comunicação. Com isso, o governo vai reduzir o número de cargos e vai ter uma grande economia de dinheiro. Essa economia vai ser revertida em benefícios para a sociedade.

Como estão as articulações em seu grupo político para acompanhar a renovação da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa? O senhor tem interesse que, de repente, o grupo que o apoia consiga eleger o futuro presidente do Poder Legislativo?

Denarium –  Existe um clamor muito grande de toda a sociedade brasileira por renovação na política. Essa renovação aconteceu na eleição do presidente da República e de vários governadores novos. Aqui em Roraima, nós tivemos a reeleição de 100% das vagas no Senado Federal e praticamente 50% na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa. Existe uma cobrança da sociedade roraimense por uma renovação na [Mesa Diretora] Assembleia Legislativa também. Nós temos dez novos deputados estaduais eleitos e 14 reeleitos. Aqueles que foram reeleitos também desejam uma renovação, uma mudança. Os novos igualmente demonstram querer uma mudança. Nós temos vários deputados entre os que foram reeleitos e vários novatos que apoiam o nosso governo. Deverá ser consenso entre os deputados estaduais formar uma chapa para concorrer com a atual Mesa Diretora. Essa articulação deverá ser feita pelos partidos e pelos deputados. É lógico que eu, na condição de governador eleito, estou trabalhando e torcendo por uma renovação na política. Não tenho nada contra o atual presidente, mas é muito importante que haja renovação na Assembleia Legislativa.

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