senador Romero Jucá

O discurso oportunista de Jucá e sua renúncia como líder do governo

Em terceiro lugar nas pesquisas de intenção de voto em Roraima e vendo sua reeleição bastante ameaçada, o senador Romero Jucá (MDB-RR) anunciou nesta segunda-feira (27) a renúncia ao cargo de líder do Governo Temer no Senado. Jucá alegou não concordar a forma como o Palácio do Planalto conduz a crise imigratória em Roraima.

É no mínimo curioso que, somente agora, quando se vê sua possibilidade de reeleição como senador seriamente ameaçada, dada a rejeição do seu nome entre os eleitores de Roraima, o senador Jucá tenha percebido o descompasso entre as politicas do governo Temer para a imigração e a realidade do estado. Jucá sempre foi um defensor do governo Temer e criticou, inclusive, o pedido de fechamento da fronteira feito anteriormente pelo governo estadual, tido pelo governo federal como impraticável.

Até aqui Jucá pouco fez na busca efetiva por soluções para a crise imigratória. E nunca esqueçamos: o político emedebista foi o grande artífice das articulações de bastidores que resultaram no impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) para que Temer assumisse a presidência. É acusado de arquitetar o grande “acordo como Supremo, com tudo” para tentar estancar a sangria da Operação Lava Jato.

O comunicado foi feito por Jucá inicialmente numa postagem no Twitter. Depois, em reunião no Palácio do Planalto, o político entregou uma carta de renúncia, que foi divulgada em seguida para a imprensa.

Um dos motivos alegados por Jucá para a entrega do cargo de líder do governo foi o que ele chamou de políticas paliativas do Governo Federal para conter os efeitos da crise imigratória. No domingo (26) o presidente Temer voltou a afirmar que não pretende fechar a fronteira do Brasil com a Venezuela.

“Acabo de comunicar ao presidente Michel Temer que deixo a liderança do governo por discordar da forma como o governo federal está tratando a questão dos venezuelanos em Roraima.”, afirmou o senador em sua conta no Twitter. Na sequência, Jucá concedeu uma entrevista no Palácio do Planalto.

Na carta que entregou ao presidente Temer, Jucá diz ser uma obrigação do governo zelar pelos interesses dos estados da federação. “Somos uma República federativa, a obrigação precípua do poder central é cuidar dos entes federados, do bem-estar, e da segurança da população, não se apegando a interesses internacionais em detrimento da realidade, do bom senso e da responsabilidade com o nosso povo”, disse o senador.

O senador roraimense disse aos jornalistas, durante a coletiva, que o posto de líder do governo não combina com as cobranças que ele faz com relação à crise dos imigrantes em Roraima. “Entre o posicionamento em defesa de Roraima, e as ações do governo federal, não titubeio em ficar ao lado do nosso povo e do estado que represento”, disse Jucá.

O político disse ter sugerido há uma semana Temer o fechamento provisório da fronteira com a Venezuela,. Esse pedido já havia sido feito pela governadora de Roraima, Suely Campos (Progressistas). “O governo disse que é inegociável fechar a fronteira sob qualquer ponto de vista, e eu entendo que sem o fechamento da fronteira para organizar o trabalho, o assunto só vai agudizar”, disse Jucá.

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