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PF apreende carros de luxo, joias e dinheiro fruto de esquema montado na Sejuc

Todos os alvos dos mandados de prisão expedidos na operação Escuridão, deflagrada nesta quinta-feira (29 de novembro) pela Polícia Federal em Roraima, já foram presos, segundo informou o superintendente da corporação, Richard Murad.

Entre os presos estão Gulherme Campos, filho da governadora Suely Campos (Progressistas), detido em Brasília, o deputado estadual eleito Renan Bekel de Melo Pacheco (Renanzinho), que se entregou à polícia, e o secretário-chefe da Casa Militar, Ronan Marinho, que já foi titular da Secretaria de Justiça e Cidadania. Também foi preso o ex-secretário da Sejuc, Josué Filho.

Richard Murad disse na coletiva à imprensa que foram coletados bens de alto valor dos envolvidos no esquema que desviou mais de R$ 70 milhões do sistema prisional de Roraima. “A corrupção mata direta e indiretamente”, disse Murad ao falar da gravidade que é o desvio de recursos públicos destinados à alimentação dos internos do sistema carcerário.

O tempo nublado não me permitiu fazer a transmissão ao vivo da coletiva da Polícia Federal. Gravei a fala do superintendente da PF e delegados sobre a Operação Escuridão e disponibilizo agor.

Publicado por Luiz Valério em Quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Entre os bens apreendidos pela PF estão carros de luxo como automóveis do modelo Camaro e SW4, uma lancha e jóias. Também foram apreendidos valores em espécie. A PF não soube precisar quanto foi recuperado do montante de recursos desviados. Vários saques e repasses em dinheiro foram constatados pela Polícia Federal através de filmagens feitas durante as investigações e a partir da quebra do sigilo bancário e telefônico dos envolvidos.

O esquema de desvio de recursos do sistema prisional roraimense, começou em fevereiro de 2015 e perdurou até hoje, segundo a PF. A empresa Qualigourmet, responsável pelo fornecimento de alimentos para os detentos do sistema prisional, foi criada com a finalidade de operar o esquema. Depois de constituída, a firma foi vendida – numa transação de fachada – para João Kleber Martins Siqueira, que segundo a PF não teria condições financeiras para adquiri-la nem para arcar com os custos do negócio.

As investigações começaram em 2017, no âmbito da Justiça Federal, mas devido ao declínio de competência do juiz que cuidava do caso, os trabalhos investigativos foram transferidos para o âmbito da justiça estadual, o que resultou em certo atraso no andar da apuração.

Conforme ficou apurado pela PF, os bens apreendidos não estavam no nome dos seus verdadeiros proprietários para tentar despistar os investigadores. Mas, depois da quebra de sigilo bancário e telefônico dos envolvidos, se chegou aos cabeças do esquema.

De acordo com a PF, ao longo da existência do esquema fraudulento, foram sacados em torno de 30% dos mais de R$ 70 milhões movimentados de forma ilegal, num valor aproximado de R$ 15 milhões. Esse dinheiro, sacado em espécie, foi repassado em para os responsáveis pelo esquema e verdadeiros donos da Qualigourmet e usado para pagamento de propinas.

“O que mais chamou a atenção nesta operação foi a soma de valores sacados em espécie, que chegavam a R$ 500 mil de uma só vez”, disse um dos delegados que falaram na coletiva.

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