Professores e alunos da UFRR fazem ato em homenagem à vereadora Marielle

Tempo de leitura: 2 minutos

Professores e estudantes dos cursos do Centro de Ciências Humanas (CCH) da Universidade Federal de Roraima (UFRR) realizaram na noite desta quinta-feira (15) um ato de protesto lementando o assassinato da vereadora Marielle Franco, do Rio de Janeiro. O evento foi encabeçado pelos professores que dirigem os departamentos de Sociologia, Antropologia e História da UFRR e contou com a participação de centenas de alunos de vários cursos.

Muitas mulheres que integram o movimento feminista em Roraima participaram do ato. Segundo algumas delas, num discurso uníssono, o assassinato da vereadora Marielle representa a tentativa de intimidar as mulheres que lutam para conquistar mais espaço de poder e protagonismo na sociedade. “Ontem mataram a Marielle. Depois pode ser qualquer uma de nós”, disse uma das oradoras.

O professor André Fonseca, do Curso de História da Universidade Estadual (UERR), disse que o Brasil passa por um momento muito delicado em que grupos reacionários estão se apossando dos espaços de poder e, por isso, a sociedade corre o risco de passar a ter um sistema de governo facista.

De acordo com Fonseca, a democracia no Brasil corre sério risco e é preciso que a sociedade reaja. Um exemplo dado pelo professor da virada à extrema direita da sociedade brasileira é o crescimento do apoio à pré-candidatura do deputado federal militar Jair Bolsonaro à Presidência da República.

Para Fonseca, a democracia no Brasil corre sério risco e a sociedade precisa reagir

Dizendo-se indignada e dilacerada pela dor causada pela morte da vereadora Marielle, a professora Manuela (Manu), diretora do Departamento de Antropologia da UFRR, disse que a corrupção política é uma das causas do crescimento da violência. Ela disse que paira no Brasil um sentimento de impunidade, principalmente para os políticos envolvidos em atos de corrupção.

“Aqui é a terra do [senador Romero] Jucá, aquele do acordo com o Supremo contudo, não é? Então eu não preciso dizer mais nada”, afirmou, destacando que é do Rio de Janeiro e conhecia a trajetória de vida de Marielle Freitas e que seu assassinato é uma tentativa de calar a voz das mulheres que lutam contra o preconceito e pela igualdade.

O Padre Ronilson, da Pastoral Universitária da UFRR, também acusou o retrocesso que o Brasil está vivendo na democracia, em que a sociedade assiste passiva ao crescimento de movimentos reacionários que buscam se apropriar do poder. Ele destacou que “um golpe” tirou a presidente Dilma do poder e agora a situação política e social do país tem se deteriorado.

Colaborador das agências da ONU que trabalham no apoio aos imigrantes em Roraima, Padre Ronilson criticou ainda a forma como o governo local e nacional está tratando a crise migratória que assola Roraima. Segundo ele, as são paliativas e os recursos estão sendo desviados da sua finalidade.

“Os R$ 190 milhões que viriam para os venezuelanos foram desviados para o aparelhamento militar”, denunciou. Esta semana o Governo Federal a liberação dos recursos para ações voltadas aos migrantes.

Comente com o Facebook