Quando comecei a militar na imprensa roraimense ouvi de meus editores que meu texto era “texto de revista”, que eu escrevia com a cabeça nas semanais, que lia muito revista, etc. Tudo porque eu sempre procurei fazer mais um texto de autor ou, como diz o jornalista Ricardo Kotscho, um texto impressionista. Na verdade o que sempre procurei como profissional de jornalismo foi fugir da forma quadrada do lide americano (primeiro parágrafo de uma notícia que responde às cinco perguntas: quem?, quando?, como?, onde? e porque?), que restringe as possibilidades de uma escrita mais elaborada. Quando comecei a formar minha cabeça de profissional de texto, busquei, sim, ler muita revista, pesquisei textos mais aprofundados, fui buscar nos almanaques as grandes reportagens da história brasileira (como as da revista Realidade), devorei livros-reportagem, enfim, fui beber na fonte dos grande autores do texto jornalístico nacional. Por fim, moldei o meu texto. Sempre me senti tolhido pelo uso do lide e o achei dispensável na escritura de matérias para o jornal impresso. Alguns anos depois, entro em contato com um dos maiores jornalistas políticos do país da atualidade, Ricardo Noblat, hoje também um dos blogueiros mais lidos do Brasil (www.blogdonoblat.com.br), e para meu regozijo vejo que a minha opinião de modesto jornalista era a mesma de Noblat: ele também considera o lide ultrapassado, pouco expressivo, dispensável, portanto. Ele manifesta isso eu seu livro “A Arte de Fazer um Jornal Diário”, da editora Contexto. Nessa obra, Noblat chega mesmo a dizer que a morte do lide está decretada. E aconselha os jornalistas brasileiros a buscar uma fórmula mais criativa para escrever suas notícias. Defende, assim como eu, o texto autoral. Numa das aulas de pós-graduação de Comunciação Social, manifestei a minha opinião sobre o fim do lide e encontrei várias testas franzidas. Sinal de discordância. Dia desses, recebi um pedido de entrevista de uma estudante de Comunicação Social da Universidade Federal de Roraima, querendo a minha opinião sobre o uso do lide na escrita jornalística. Eu achava mesmo que o lide é dispensável? Reafirmei o que venho defendendo há anos: considero sim. Atualmente, estou lendo o livro “O Repórter do Século”, uma coletânea das sete melhores reportagens do jornalista José Hamilton Ribeiro, o único do país a ganhar sete prêmios Esso de Jornalismo. Em todos os seus textos encontramos a marca do autor. O lide é deixado de lado. Como se pode perceber, não ando falando besteira. Apenas aprendi com os grandes jornalistas da nossa imprensa.

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