Desde que a crise imigratória se intensificou em Roraima, a partir de 2016, eu tenho vivido entre a perplexidade e o espanto com a situação social a que o estado chegou.

Mesmo tendo uma vida dedicada à apuração de notícias há mais de duas décadas, testemunhando e escrevendo sobre as situações mais dramáticas e inusitadas possíveis, confesso que nunca havia acompanhado tão de perto um quadro social em fase de deterioração tão profunda como o que se verifica pelas bandas de cá.

Os milhares de venezuelanos que fugiram da ditadura impiedosa do governo bolivariano de Nicolás Maduro, se aglomeram nas ruas da cidade e dormem sob marquises de lojas, embaixo de barracas que encharcam quando chove, em calçadas… Parece que o estado inteiro se transformou num imenso campo de refugiados. São cenas que mexem comigo e me fazem refletir sobre a condição miserável do ser humano.

Meu coração se divide entre o desejo de ser solidário com os venezuelanos – principalmente crianças, mulheres e idosos – necessitados de ajuda e um crescente sentimento de repulsa para com aqueles imigrantes de má índole, deformados de caráter, que não sabem ser gratos pela acolhida que estão tendo.

É revoltante ter que relatar diariamente aqui neste site e em meu programa de rádio as agressões a médicos, servidores públicos e militares do Exército. É preocupante ver os números da violência explodirem e saber que há imigrantes entre os infratores que fazem a escalada da violência crescer de forma assustadora.

Preocupa-me ouvir de integrantes do sistema de segurança informações sobre o recrutamento de imigrantes pelas facções criminosas que medem força com a polícia.

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Mas, escrevendo essas coisas, corro sério risco de ser tachado de xenófobo. Membros de ONGs e de órgãos que defendem de forma intransigente os direitos dos imigrantes, mesmo aqueles que estão se comportando de maneira que confronta a lei do nosso país, têm o entendimento enviesado de que eles são intocáveis, não importa o que façam. Afinal, dizem, eles são vítimas de um governo que os expulsou da sua pátria ao lhes negar às condições dignas de vida e os obrigando a viver em terra estrangeira. Esta é apenas uma das faces da realidade.

Eu levo uma vida extremamente disciplinada, dedicada ao trabalho, ao estudo, e cumpro com todas as minhas obrigações junto ao governo, como pagador de tributos e cidadão. Tenho uma vida completamente dedicada à minha família e me preocupo com a sua segurança. Logo, me incomoda e me inquieta a deterioração do equilíbrio social do estado que me acolheu há mais de 16 anos.  

No mais, sou jornalista e tenho assegurado pela Constituição do meu país o direito de livre expressão, como todo cidadão. A questão aqui não é de xenofobia, coisa que, tenho consciência, não o sou. Trata-se de não fechar os olhos para nossa preocupante realidade.

Não generalizo, porém. A maioria dos imigrantes é composta de pessoas de bom caráter, que querem apenas uma chance para recomeçar a vida. Mas é preciso reconhecer que entre os milhares de venezuelanos que têm aportado em Roraima está vindo também uma horda de desordeiros, criminosos fugitivos da justiça de seu país de origem, que estão se juntando aos delinquentes daqui para praticar todo tipo de crime. Esses precisam ser punidos, deportados, mandados embora.

Chama a atenção a resistência de órgãos como o Ministério Público Federal (MPF) e outros mais da esfera federal, em permitir que se tenha algum controle na entrada de imigrantes no Brasil por solo roraimense. Afinal de contas, aonde vamos chegar? Quando a situação fugir do controle totalmente, quem vai agir para fazer voltar à normalidade? E depois, quando as agressões passarem de militares a promotores e procuradores, como será?

Quem vive sob a proteção de forte esquema de segurança custeado pelo Estado pode ainda não estar preocupado com a situação, mas nós, o povo, estamos.

Todos os países que lidam com a questão da imigração – da América do Norte à Europa – estabelecem um limite ditado pela sua própria capacidade de atendimento e convivência harmoniosa com os refugiados sem comprometer a harmonia e o bem-estar dos seus cidadãos. Porque aqui não se pode estabelecer limites?

Não sou homem afeito a extremos. Não defendo medidas drásticas contra imigrantes à moda Trump, mas também não gosto da frouxidão com que se quer tratar a questão imigratória aqui fronteira. Nem tanto nem tão pouco.

Está mais do que evidente que as condições de abrigo, atendimento, assistência social, médica e educacional estão se exaurindo, mas nem o Governo Federal nem órgãos como o MPF querem permitir um maior controle na entrada de imigrantes.

Tenho sido um crítico contumaz do governo de Suely Campos. Tenho apontado diariamente os desacertos e vícios que permeiam a atual administração estadual. Mas não dá para ser leviano e dizer que o governo não tem buscado dar uma resposta à sociedade quanto aos problemas decorrentes da crise imigratória.

A questão é que me parece haver poderosas forças que torcem para o quanto pior melhor. A interesse de quem, não se sabe. Enquanto isso, a sociedade local, os trabalhadores e contribuintes veem sua paz ir embora, devido ao medo do caos que se instala e em decorrência da crescente violência que agora também fala espanhol.

Que Deus nos proteja!

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